Hospital e Maternidade Santa Isabel realiza dois tipos de cirurgia bariátrica

De 18 de setembro de 2019Notícias

Mudar o estilo de vida é fundamental para quem vai fazer Bypass Gástrico em Y de Roux ou Gastrectomia Vertical

Considerada uma epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade atinge hoje no mundo um em cada oito adultos (dados da OMS de 2018) e as perspectivas são de piora desse quadro – segundo a ONU e a OCDE, as taxas de obesidade e sobrepeso na América Latina e Caribe estão em crescimento, já próximas aos índices de países como Estados Unidos e Canadá. Com isso, a procura por cirurgia bariátrica aumentou no país.

O Hospital e Maternidade Santa Isabel realiza, atualmente, dois procedimentos do tipo: Bypass Gástrico em Y de Roux e Gastrectomia Vertical. O procedimento é indicado para pacientes com índice de massa corpórea (IMC) acima de 35 – e que tenham alguma outra condição clínica (comorbidade) associada, como hipertensão, diabetes, apneia de sono grave, dislipidemia (colesterol ou triglicerídeos altos) ou osteopatia grave.

É indicado também para pacientes com IMC acima de 40, mesmo sem qualquer tipo de condição associada, conforme definição da OMS, do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

O caminho para fazer o processo de redução do estômago vai além da cirurgia. Os pacientes devem seguir a rotina de preparação após a indicação médica para que a cirurgia seja feita em melhores condições.

Todos os que são encaminhados para fazer o procedimento devem passar por uma avaliação psiquiátrica, por exemplo. “O médico psiquiatra irá avaliar se o paciente tem algum transtorno de compulsão alimentar ou psicossocial, que, diagnosticados, podem contraindicar a cirurgia”, afirma o cirurgião Dr. João Francisco Blanco de Almeida, médico responsável pelo procedimento bariátrico no HMSI.

“O paciente deve entender que a vida dele antes e depois da cirurgia deverá ser diferente, para que o procedimento seja mais eficaz. Ele tem que consumir alimentos mais saudáveis, perder peso e praticar atividade física. Todos os estudos mostram que todos os pacientes que tem melhores resultados – manutenção da perda de peso a longo prazo, são aqueles que fazem atividade física tanto no pré como no pós-operatório”, ressalta o cirurgião.

Além da avaliação psiquiátrica e psicológica, é muito importante também que o paciente seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar formada por nutricionista, endocrinologista e preparador físico, para que haja a manutenção da perda de peso. “O paciente deve seguir todo o plano da equipe multidisciplinar. Ele não deve perder contato com os membros da equipe, senão terá grandes chances de recuperar o peso”, reforça o Dr. João Francisco.

Quem vai se submeter à cirurgia bariátrica deve estar focado na perda de peso e na mudança de estilo de vida, apresentando resultados antes do procedimento. “Um paciente bem focado costuma perder cerca de 10% de sua massa corpórea. De quem apresenta ganho de peso durante o período de preparo para a cirurgia, que pode ser de até dois anos, deve se esperar que o resultado final seja muito ruim. Por isso, eu costumo não operar o paciente que ganha peso nesse período, para que ele tente mudar o estilo de vida e, depois, ser submetido à cirurgia”, completa o médico.

Há casos ainda de pacientes que apresentam resultados tão positivos no preparo para o procedimento que desistem de operar. “Pacientes muito jovens, que tiveram ganho de peso em um curto intervalo de tempo e apresentaram alteração sócio comportamental não são indicados para fazer a cirurgia. É preferível que sejam acompanhados clinicamente e introduzam em suas atividades diárias a prática de exercícios físicos e reeducação alimentar”, diz.

Bypass Gástrico em Y de Roux ou Gastrectomia Vertical?

Bypass é uma técnica mista que tem o componente restritivo, ou seja, diminuição na ingestão alimentar devido um estômago pequeno, e o componente disabsortivo, que consiste em alterações hormonais e a não absorção da comida em uma parte do intestino. Esta técnica é a mais realizada no Brasil e corresponde a 75% das cirurgias feitas no país.

Já a Gastrectomia Vertical consiste na retirada de parte do estômago. É chamada de vertical ou em manga porque retira através de grampeamento boa parte do estômago verticalmente, deixando um tubo gástrico, como uma manga de camisa.

“Na maioria dos casos, eu indico a Bypass Gástrico. Estudos de longo prazo – acima de cinco anos, indicam que é uma técnica que incide em uma perda de peso muito boa, manutenção dessa perda e boa resolutividade do paciente que tem alguma comorbidade, como diabetes”, afirma o Dr. João Francisco.

O que você precisa saber sobre a cirurgia bariátrica

Avaliação – o paciente deve ser submetido a uma avaliação psiquiátrica, para saber se terá condições de se adaptar a um novo estilo de vida, obrigatório após a realização do procedimento.

Perda de peso antes da cirurgia – é muito importante que haja uma redução de cerca de 10% do peso corpóreo, indicando que o paciente está focado e se adaptando ao novo estilo de vida, em termos de alimentação e exercícios físicos.

Duração da cirurgia – dura de 50 a 80 minutos. A anestesia é geral, por meio de intubação orotraqueal – o procedimento é obrigatório para todos os pacientes.

Efeitos do pós-operatório – paciente pode apresentar quadro de dor. No entanto, como a cirurgia é laparoscópica (procedimento minimamente invasivo), atualmente as dores são muito menores. Nos primeiros dias pode apresentar náuseas, desidratação, cansaço e quadro de vômito, por conta da dieta restritiva.

Dieta – nas primeiras duas semanas, o paciente vai ingerir cerca de 750 calorias diárias por meio de dieta líquida, que é inserida no segundo dia após a cirurgia.

Alta hospitalar – geralmente, o paciente recebe alta no terceiro dia, de acordo com sua aceitação da dieta líquida. Ele deixa o hospital com um dreno, utilizado para controle das secreções intra-abdominais e para que o médico avalie se houve desenvolvimento de fístulas.

Alimentação pós cirurgia – o paciente deve seguir corretamente o plano alimentar imposto pelo médico, composto por uma dieta líquida nas duas primeiras semanas, ingerida de 20 em 20 minutos, 50 ml por vez. Na terceira semana, a alimentação é composta novamente por uma dieta líquida, mas com resíduo alimentar. Na quarta semana é introduzida uma dieta pastosa, com consistência de purê. A quinta semana, por sua vez, inicia a dieta sólida, com refeições normais em porções reduzidas.

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